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Tecnologia Termossolar e Fotovoltaica*

O Brasil tem um enorme potencial de aproveitamento da energia solar: praticamente to- das as suas regiões recebem mais de 2.200 horas de insolação, com um potencial equivalente a 15 trilhões de MWh, correspondentes a 50 mil vezes o consumo nacional de eletricidade. Mesmo assim, o uso da energia termossolar e da energia fotovoltaica são pouco explorados.

No caso da tecnologia termossolar, a infraestrutura para aquecimento de água na maioria das residências brasileiras é baseada nos chuveiros elétricos, equipamentos de baixo custo inicial, mas de grande consumo de energia elétrica ao longo de sua vida útil, que geram importantes demandas de capital para o setor elétrico, além de altos custos ambientais e sociais. Os chuveiros elétricos e os aquecedores de acumulação consomem 8% de toda a eletricidade produzida no país e são responsáveis por 18% do pico de demanda do sistema elétrico. Vários países, com níveis de insolação menores que o Brasil, fazem uso intensivo da energia solar por meio de sistemas de aquecimento, sendo uma alternativa excelente aos chuveiros elétricos para prover a água aquecida nas habitações, no comércio, nos serviços e no lazer, e têm muito a contribuir para a mitigação dos impactos socioambientais do setor elétrico. Por sua vez, a tecnologia fotovoltaica, desde o início de 2019, na matriz energética brasileira, superou a marca de 2.000 megawatts (MW) de potência operacional. Apesar desse valor, quando comparado a países com menor potencial de insolação por metro quadrado, por exemplo, a Austrália, uma das líderes no uso da tecnologia solar fotovoltaica, essa potência se torna insignificante. Por outro lado, se no passado o interesse pela energia solar fotovoltaica esteve ligado às questões ambientais e climáticas de pequeno grupo de consumidores preocupados em economizar os recursos naturais, atualmente os incentivos são outros. Os atuais consumidores estão fazendo uso da fotovoltaica por motivos relacionados à evolução tecnológica, geração descentralizada e mudanças no mercado de compra e venda de energia, disseminando o uso da energia fotovoltaica nas diferentes camadas da sociedade. Além disso, um sistema de geração distribuída solar fotovoltaica pode proporcionar uma economia de até 95% na conta de luz, tanto para consumidores residenciais, quanto para empresas privadas, prédios públicos e propriedades rurais. Ambas tecnologias — termossolar e fotovoltaica — apresentam amplas vantagens ambientais, econômicas e sociais. Por substituir hidroeletricidade e combustíveis fósseis, cada instalação solar reduz de uma vez e para sempre o dano ambiental associado às fontes de energia convencionais: não produz emissões de gases tóxicos que contribuem para a poluição urbana, não afeta o clima global por não emitir gases estufa à atmosfera e não deixa lixo radiativo como uma herança perigosa para as gerações futuras. Além de proporcionar benefícios sociais, como a redução da conta de energia elétrica e a geração de um grande número de empregos locais por unidade de energia. Por esses motivos, vale refletir sobre a possibilidade de ampliar as discussões sobre o uso da energia termossolar e fotovoltaica em todo território nacional.


Roberto Matajs Mestre em energia pelo IEE/USP, co-autor do livro Um banho de Sol para o Brasil e professor da Sociedade do Sol. * Texto publicado no Jornal Cidade Progresso de Guarulhos, pág. 11, edição 4, ano I, Nov. 2019. <http://midiakitcom.com.br/revistas/sites/capas/jcpd/4/index.html#p=1>

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