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Inteligência Artificial e as práticas de ESG


Mão robótica. Fonte da imagem: rawpixel.com/Freepik



A Inteligência Artificial (IA) tem desempenhado um papel cada vez mais importante em nossas vidas, transformando a maneira como interagimos com a tecnologia e impactando vários setores da sociedade. No entanto, à medida que a IA se torna mais presente em nosso cotidiano, é essencial considerar também que as empresas provedoras das IAs levem em conta práticas relacionadas ao ESG (Environmental, Social and Governance, ou Ambiental, Social e Governança, em português). As práticas de ESG têm como objetivo impulsionar empresas a abraçarem os princípios que prezam pelos direitos humanos, direito ao trabalho, meio ambiente.


Um exemplo de inovação recente no campo da Inteligência artificial é o Chat GPT-4 da OpenAI. O GPT-4 é um modelo de IA que requer uma quantidade significativa de energia elétrica para processar informações, formular algoritmos e armazenar dados necessários para responder às perguntas dos usuários. Essa demanda energética resulta em um aumento do consumo de eletricidade e, consequentemente, pode levar a um aumento das emissões de gases estufa, dependendo de como essa energia é gerada.


Além disso, é importante considerar outro recurso valioso: a água. Os provedores de serviços em nuvem e centros de dados, que suportam a infraestrutura necessária para a IA, geralmente requerem grandes quantidades de água para resfriar os provedores de serviços em nuvem e seus equipamentos nos centros de dados. Essa demanda hídrica pode ter um impacto ambiental considerável, especialmente em regiões onde a disponibilidade de água é escassa ou onde a infraestrutura de tratamento de água e o gerenciamento de recursos hídricos são desafiadores.


As empresas que investem em sistemas de IA podem adotar práticas de ESG que considerem a eficiência energética desses sistemas, garantindo que sejam otimizados para reduzir o consumo de energia, minimizar as emissões de gases estufa e implementar o uso racional de água. Isso envolve selecionar provedores de serviços em nuvem e centros de dados que utilizem fontes de energia renovável em suas operações, reduzindo assim a pegada de carbono, tornando a operação das IAs mais sustentáveis. Para minimizar o consumo de água, pode-se adotar o uso de tecnologias de refrigeração mais eficientes, como sistemas de resfriamento líquido direto, que reduzem a necessidade de grandes volumes de água. Além disso, o aproveitamento de água reciclada ou a implementação de práticas de reutilização de água podem contribuir para uma gestão mais sustentável desse recurso.


Ao incorporar princípios de ESG em seus investimentos, as empresas de IA também podem considerar o impacto social da tecnologia. Isso inclui a garantia de que a IA seja desenvolvida e aplicada de forma ética, respeitando a privacidade, a segurança e a equidade. Além disso, as empresas podem avaliar como a IA pode ser usada para fins benéficos à sociedade, como no desenvolvimento de soluções para desafios ambientais, de saúde ou sociais.


Quanto à governança, é fundamental que as empresas estabeleçam políticas claras e transparentes em relação ao uso da IA, incluindo diretrizes sobre privacidade de dados, responsabilidade e prestação de contas. Também é importante garantir a supervisão e o monitoramento adequados do uso da tecnologia, para mitigar quaisquer riscos potenciais e garantir a conformidade com as regulamentações vigentes.


Ao adotar práticas de ESG as empresas de IA e seus fornecedores demonstram seu compromisso com a sustentabilidade, a responsabilidade social e a boa governança. Isso não apenas atende às expectativas crescentes dos investidores e dos consumidores, mas também contribui para um impacto positivo no meio ambiente e na sociedade como um todo. Tais ações podem garantir que a tecnologia seja desenvolvida e aplicada de maneira ética, eficiente em termos energéticos e com um impacto positivo tanto para o meio ambiente quanto para a sociedade. Somente assim poderemos aproveitar plenamente os avanços da IA sem comprometer a sustentabilidade do nosso planeta.


 

Texto de Roberto Matajs Mestre em energia pelo IEE/USP, co-autor do livro Um banho de Sol para o Brasil e professor da Sociedade do Sol.

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