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Água; captação, uso e reúso

 
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INTRODUÇÃO


É hoje um fato comprovado que o volume de água doce e limpa, que é menos que um por cento de toda a água disponível no planeta, está se reduzindo em todas as regiões do mundo. Inclusive no Brasil.

A região da Grande São Paulo é um exemplo típico desse problema.

O consumo exagerado das reservas naturais de água doce por causa do alto crescimento populacional está sendo maior do que a natureza pode oferecer, e a poluição produzida pelo homem está contaminando e diminuindo cada vez mais essas reservas. Veja mais detalhes em Ciclo da Água

Por sorte, a população já está sendo conscientizada desses problemas pelos órgãos encarregados em educação ambiental e pelas próprias distribuidoras de água. Mas, isso ainda é muito pouco frente a urgência de reverter esse lastimável desgaste ambiental.

As pessoas mais lúcidas de nossa população já fazem uma boa economia dentro de casa com as orientações sugeridas, tais como:

  • Fechar a torneira enquanto escova os dentes, faz a barba, ensaboa a louça, etc.;

  • Não usar mangueira para lavar pisos, calçadas, automóveis, etc.;

  • Trocar as válvulas hidroassistidas de descargas por caixas acopladas ao vaso sanitário com limitador(es) de volume(s) por descarga;

  • Diminuir o tempo no banho;

  • Procurar usar a máquina de lavar roupas apenas quando tiver roupas (sujas) o suficiente para usar o volume máximo da máquina.

  • Aproveitar a água do segundo enxágüe da máquina de lavar-roupas para lavar o quintal.

Muitos querem apoiar ainda mais esse esforço pela economia de água, mas nem sempre têm acesso a exemplos suficientemente funcionais e simples de serem seguidos.

A Sociedade do Sol vem estudando alguns caminhos possíveis para gerar uma economia significativa de água potável, e está desenvolvendo projetos de simples e imediatas aplicações que permitirão reduções de aproximadamente 30% a 40% do consumo de água potável consumida em um lar.

 
Caminhos possíveis para economia de água potável - Opção 1

Aproveitamento da água de chuva.

É o projeto mais envolvente de todos. É um sonho permanente. Em regiões com grande índice pluviométrico e baixa poluição, pode-se coletar a água da chuva, acumular e tratá-la em uma cisterna, para depois suprir grande volume da água consumida em um lar.

Já nos centros urbanos, existe um obrigatório controle das primeiras águas de chuva coletada, bastante perigosas, pois são o resultado da lavagem da poluição aérea e das sujeiras acumuladas nos telhados.

Mas, a falta de espaço nas casas urbanas e o alto custo para a instalação de uma cisterna, torna esse caminho praticamente inviável. A Sociedade do Sol compreendendo essas dificuldades, decidiu criar um sistema de aproveitamento da água de chuva de baixo custo, que possa ser implantado facilmente em qualquer casa. Trata-se do Projeto Experimental de Aproveitamento de Água de Chuva em Pequenos Reservatórios para Residência Urbana.

Os principais objetivos desse projeto são:

  • servir de instrumento didático;
  • incentivar a população a fazer o aproveitamento correto da água de chuva;
  • fazer com que toda casa urbana tenha pelo menos um sistema simples de aproveitamento da água de chuva;
  • minimizar o escoamento do alto volume de água nas redes pluviais durante as chuvas fortes;
  • usar a água para irrigações nos jardins e para lavagens de pisos externos. Assim, essa água vai infiltrar na terra e ir para o lençol freático, preservando seu ciclo natural.
  • se necessário usar a água de chuva para as descargas no vaso sanitário.

Caminhos possíveis para economia de água potável - Opção 2

Reúso da água presente no esgoto.

É o projeto de reúso mais aplicado em nível mundial, inclusive no Brasil.

Um esgoto tratado a ponto de ser devolvido aos rios e aqüíferos é suficientemente limpo para lavagem de ruas, rega de parques e aplicações de cunho industrial. No lar essa água tem uso na limpeza de vasos sanitários, rega de jardins, lavagens de pisos externos e automóveis.

Essa água poderia substituir cerca de 40% da água potável consumida no lar, mas as distribuidoras não tem condições de oferecer essa água ao usuário final, pois isto representaria a instalação de mais um sistema de distribuição de água, paralelo ao que já foi implantado para a água potável.

Fica para a família ou condomínio a alternativa da compra e dos obrigatórios cuidados na manutenção de caras ETEs (estações de tratamento de esgoto). A Sociedade do Sol acredita e apóia a instalação dessas ETEs em condomínios ou em cada pé de morro. Assim, a água consumida pela população poderia ser tratada, limpa e reutilizada, ou simplesmente devolvida para a natureza para seguir o seu ciclo hidrológico.

Uma ETE compacta é composta de: Reator anaeróbio; Reator aeróbio tipo lodos ativados com recirculação de lodo; Decantação; Filtração (obs.: atualmente já está sendo incorporado a tecnologia de osmose reversa com uso de membranas - ainda muito caro, mas de excelente resultado filtrante) e Desinfecção/Esterilização com Cloro, Ozônio ou Ultra Violeta.

 

Caminhos possíveis para economia de água potável - Opção 3

Reúso da água originada no banho familiar.

Estudando as opções, verificamos que o reúso da água do banho é um caminho interessante para a redução de uso da água potável em aplicações simples como por exemplo nas descargas dos vasos sanitários. Essa água é denominada de "Greywater" ou água cinza. Bastante utilizada para irrigação em outros países.

Mantendo o conceito da auto montagem, e com materiais de fácil obtenção, estamos desenvolvendo alguns projetos que permitem reduzir o uso da água residencial em cerca de 30%, sem aplicação de tecnologias complexas e sem perigos para a saúde do usuário.

Existe certa correlação entre a água consumida no chuveiro e a consumida no vaso sanitário, equilibrando essas demandas. Veja a seguir os cálculos que nos levaram a essa conclusão:

Cálculos de consumo de água.

Consumo médio de água por pessoa:
4,5R (R = m³)  por mês = 4,5m³ por mês = 4.500 Litros por mês = 150 Litros por dia.

Consumo médio diário com banho:
(obs.: chuveiro com vazão média de 3,5 Litros por minuto, e banho de +/- 15 minutos)
1)- 15 X 3,5 = 52,5 Litros;
2)- 52,5 X 30 (dias) = 1575 Litros/mês = 1.57m³
3)- Isso significa 34,88% do consumo mensal.

Consumo médio diário com descargas:
(obs.: cada descarga tem vazão de +/- 10L)
1)- média de descargas = 5 vezes ao dia = 50Litros/dia.
2)- 50 X 30 = 1500 Litros/mês = 1.5m³.
3)- Isso significa 33,33% do consumo mensal.

Baseados nos cálculos acima, buscamos algumas ALTERNATIVAS PARA ECONOMIZAR ÁGUA COM AS DESCARGAS. Dentre elas temos:

1ª- ALTERNATIVA:

usar vasos sanitários econômicos (também conhecidas como bacias ecológicas) com caixa acoplada para limitar o volume de água por descarga (por volta de seis litros). Vários modelos disponíveis no mercado. Nos vasos sanitários mais antigos, cada descarga gasta em torno de nove a dez litros, e em sistemas que usam a válvula de descarga na parede (hidroassistida), esse volume chega a dobrar facilmente.

Atualmente já existem algumas alternativas bem interessantes como:
- a caixa de descarga acoplada com um botão duplo de acionamento, um para dejetos líquidos (3 litros) e outro para dejetos sólidos (6 litros);
- os sistemas a vácuo, usados em banheiros de aviões, ônibus, embarcações, etc.;
- e os banheiros secos, muito difundido na Permacultura.

VASO SANITÁRIO COM CAIXA DE DESCARGA ACOPLADA
2ª- ALTERNATIVA:

eliminar todo o consumo de água (potável) com as descargas.

Para isso será reaproveitada a água do banho.

Isso vai significar +/- 30% de economia por mês.

Veja a figura da operação conceitual =>

ATENÇÃO: ESSE PROJETO ESTÁ EM FASE DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO

- Como fazer?
Resposta: Desviar a água do ralo do box para um reservatório passando por filtros e tratamentos para depois reutilizar essa água nos vaso sanitário. Para isso muitos projetos e muitas variáveis poderão ser feitos. Na seqüência dessa apresentação demonstramos dois projetos experimentais de reúso de água do banho familiar em pesquisa e desenvolvimento. Um para sobrados e outro para casa térrea.

 
Reúso da Água de Banho: Técnicas de Tratamento

Os caminhos de tratamento dessa água envolvem, entre outros:
- Sistema de filtro simples e de fácil limpeza.
- Sistema de desinfecção e conservação.

A água de banho, apesar de muito mais limpa do que a do esgoto, apresenta aspectos químicos e biológicos especiais, cuja solução está sendo estudada por muitos grupos interessados no seu reúso.

Essa água é pouco homogênea, constituída por: resíduos de pele, sabões, detergentes, creme dental, cabelos, gorduras, suor, urina, saliva, placas bacterianas provenientes de ralos e outros.

A tecnologia para o trato desse tipo de água ainda não é publica. A literatura das técnicas de reúso é extensa, mas sem oferecer claramente as informações que procuramos.

SoSol e outros grupos de estudo empenham-se para que a água que chega ao vaso sanitário tenha aspecto limpo, seja estéril, sem cheiro ou cheiro agradável. O descarte diário e o uso de cloro de origem orgânica (cloro usado em piscinas - produto que não forma sub-produtos cancerígenos) vai tratar a água do banho deixando-a estéril e garantindo que respingos durante o uso no vaso sanitário não ofereça qualquer tipo de perigo para o usuário. Mas, a responsabilidade do descarte diário e a vigilância na aplicação do cloro deve ser feito rigorosamente pela própria família, normalmente por um responsável.

Em adição, estamos constantemente buscando novas técnicas de tratamento para a água do banho (água cinza), para fazermos o seu reúso sem que seja necessário os devidos cuidados citados acima. Só assim esses projetos poderão ser liberados para uso público, principalmente para o usuário menos capacitado.

A Sociedade do Sol e sua equipe tem consciência da seriedade da tarefa que está sendo enfrentada. Saiu-se da física dos fenômenos térmicos solares, (com o seu primeiro projeto do aquecedor solar popular - ASBC) para envolver-se em novos, e ainda pouco conhecidos processos químicos e biológicos.

 

Reúso da Água de Banho: Projetos Experimentais em fase de pesquisa e desenvolvimento para Instalações em casas populares

Os esquemas a seguir ilustram duas possibilidades de se fazer o reúso de água do banho em casas populares. Esses sistemas, além de serem baratos, se pagam rapidamente pela economia na conta da água. São sistemas que precisam de cuidados periódicos de higienização, +/- igual ao vaso sanitário do seu banheiro. São seguros por serem um circuito fechado, (Chuveiro, ralo do box, reservatório fechado e vaso sanitário), sem fácil acesso para manuseio ou ingestão por familiares ou terceiros.

O princípio desse projeto é fazer o reúso da água do banho de um dia até no máximo o dia seguinte, ou seja, a água do banho é armazenada em um reservatório e reutilizada para as descargas no vaso sanitário até o primeiro banho da família. Antes desse banho, a sobra de água deve ser totalmente descartada, abrindo um registro instalado em conjunto de uma válvula de tanque (ralinho) no fundo do reservatório, deixando-o totalmente vazio. Depois fecha-se o registro e começa a encher o reservatório com os novos banhos. Com esses procedimentos evitamos que se formem depósitos de sujeiras no reservatório. O acúmulo de sujeiras podem dar origem a colônias de bactérias resultando em mau cheiro e ambiente favorável para a proliferação de seres indesejáveis. Por isso a importância das limpezas periódicas. E para se assegurar ainda mais, recomendamos o uso de cloro de origem orgânica (cloro usado em piscina) em clorador instalado dentro do reservatório.

Veja a seguir os esquemas simplificados do reúso da água do banho residencial:

CLIQUE PARA AMPLIAR

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Observação: Não sugerimos ampliar o sistema de reúso com a adição de água da pia do banheiro, do 2º enxágue de máquina de lavar roupas ou da chuva. O excesso de água fará com que se gaste a água em outras aplicações que não a do vaso sanitário. Essas aplicações só devem ser feitas caso a água do banho não supra a demanda no vaso sanitário. Para esse caso a água da pia do banheiro, do 2º enxágue da máquina de lavar roupas ou da chuva deve ser desviada para o circuito de entrada do sistema de reúso, passando por todo o processo que a água do banho passa antes de ser direcionada para o vaso sanitário.

 

Reúso da Água de Banho: Vantagens para a Grande São Paulo

Admitindo que cada pessoa use 35 litros de água de banho por dia (0,035 metros cúbicos), e que a demanda do vaso sanitário também seja de 35 litros por dia/pessoa, a região da Grande São Paulo com seus 17.000.000 de moradores poderia gerar uma economia diária de água potável de 595.000 m³. (17.000.000 x 0,035 m³ = 595.000 m³), equivalente ao volume de 9.000 piscinas olímpicas por mês.

Isso corresponde a um caudal de 6,89 m³ por segundo, cerca de 10% do consumo global da Grande São Paulo.

Esse volume já seria suficiente para a manutenção do nível de nossos reservatórios de água limpa.

Uma economia de água do porte mencionado poderá postergar ou evitar obras de desvio da água limpa de municípios distantes.

Com a liberação dessas verbas, seria possível financiar, a custo zero, praticamente todo o programa do reúso na grande São Paulo.

Finalizando: a redução na produção da água potável é sinônimo de lagos e represas mais cheias, águas mais limpas e diminuição dos custos da produção dessa água.

Por outro lado, teremos represas mais cheias e limpas que serão um bom incentivo para um turismo local, melhorando a qualidade do lazer da população, resultando em mais banhos, passeios, voltas em barcos de turismo e um reviver do esporte náutico, tudo perto de nossas casas.

 

Agradecimentos:

Para que o caminho do Reúso da Água de Banho pudesse ser trilhado por esta sociedade, houve um esforço prévio e especial do voluntário Edison Urbano que insistiu e nos convenceu do acerto desse caminho.

E aos amigos leitores deste trabalho,

AGRADECEMOS SINCERAMENTE O EMPENHO E DESEJO DE APROFUNDAREM-SE EM TÉCNICAS DE BAIXO CUSTO, QUE ENVOLVEM DESPESAS PERMANENTES EXISTENTES NO LAR BRASILEIRO.

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